A Dissertação E Sua Estrutura

O que veremos neste capítulo é uma revisão do que estudávamos na época da escola. Mas nunca é demais recordar, pois a dissertação é o estilo predominante em qualquer redação científica.

Há três tipos de redação: a narração, a descrição e a dissertação. Quando narramos, trabalhamos com fatos, enquanto a descrição trabalha com imagens. Elas são consideradas verdadeiras, uma vez que conduzem o leitor a acreditar honestamente no que se está lendo. Mas será a dissertação que é a principal linguagem que usaremos para escrever nossos trabalhos científicos, uma vez em que ela sempre levanta o problema da verdade, discutindo e argumentando sobre ele.

Ela envolve conceitos, que começamos a reconhecê-los como verdadeiros na medida em que nos provem solidamente o seu valor, uma vez que a dissertação já se realiza no plano das ideias, do conhecimento, das abstrações. Dissertar é realizar um trabalho reflexivo que consiste, basicamente, em organizar as ideias numa determinada linha de raciocínio por meio da linguagem verbal para expor, defender ou contestar ideias, utilizando o chamado discurso dissertativo.

A estrutura de uma dissertação é uma redação em três partes:

 

1 – INTRODUÇÃO

A dissertação se iniciará pela introdução, ocupando o primeiro (ou os primeiros) parágrafo do texto, em uma movimentação inicial, verificando os aspectos de tema sobre o tema que vamos escrever, anunciando a problematização e o objetivo da redação, focalizando o quadro geral que será desenvolvido além de oferecer ao leitor um panorama do que ele irá ler. Deverá ser coerente, servir de controle para quem escreve, impedindo-o de fazer digrassões fora do objetivo proposto – garantindo a fidelidade do desenvolvimento e da conclusão. Uma boa introdução deverá:

1) despertar o interesse do leitor;

2) apresentar o tema;

3) resumir os aspectos que serão desenvolvidos em seguida;

4) orientar o leitor quanto a esses aspectos;

5) controlar quem escreve, garantindo a coerência.

 

2 – DESENVOLVIMENTO

A segunda fase da dissertação será o desenvolvimento, onde os assuntos pré-apresentados na introdução serão apresentados com mais profundeza e riquezas de detalhes, uma vez que na primeira fase já definimos o que e como vamos escrever o nosso texto.

O desenvolvimento estrutura-se em provas e exemplos notórios, de natureza técnica, ou científica, ou mesmo filosófica. Temos que tomar muito cuidado com os desenvolvimentos que poderão se perder quando não respondem às questões propostas ou que se perde em explicações desnecessárias, imprecisas ou desconexas. Os exemplos expostos devem retificar os nossos pontos de vistas defendidos, visando a convencer quem lê o texto quanto a razão apresentada pelo o autor. O ideal mesmo, é que cada parágrafo tenha uma ideia central.

Essa fase busca apoio em julgamentos, representando a opinião, expressão pessoal de aprovação ou reprovação de quem está escrevendo. Mas é preciso certo cuidado para que dissertações apoiadas em um acúmulo de julgamentos tendem a ser vagas e o seu autor esgota suas ideias em um ou dois parágrafos.

 

3 – CONCLUSÃO

Chegamos à fase do desfecho do texto: a conclusão. Como fazê-la? Primeiramente, tomar cuidado para que nesse momento não surja uma tendência a dois procedimentos igualmente falhos: apontar uma “solução” para todos os problemas levantados; encerrar com uma bela frase de grande efeito que poderá representar um clichê, lugar-comum, ou introduzir um novo aspecto na argumentação.

Isso quebrará da unidade do texto, pois na conclusão não deve constar nada que não esteja na introdução ou no desenvolvimento. A frase de efeito também é dispensável uma vez em que dissertação é um texto objetivo em que deve predominar a lógica. A conclusão dependerá muito do assunto abordado e do talento pessoal de quem está escrevendo.

Sobretudo, o corpo de uma dissertação deve fluir naturalmente, revelando a maturidade pessoal e o grau de percepção de seu autor m relação ao seu conhecimento, ao mundo em que vivemos, participando efetivamente como pessoas ou profissionais.

Uma boa forma de melhorarmos cada vez mais as nossas dissertações está tanto na necessidade de praticá-la, quanto no ato de ler textos de outras pessoas. Em uma leitura atenta e cuidadosa, observaremos bem o estilo, a maneira que cada autor escreve, procurando assimilar o seu conteúdo e tudo quanto for possível. Lendo, poderemos verificar como e o porque a leitura nos parece difícil ou agradável. Com tudo o que estamos descobrindo no ato de ler, somando ao nosso conhecimento pessoal, fixaremos um estilo, uma forma própria de escrever e de nos comunicarmos com clareza!

Podemos também dar aqui mais três dicas para uma boa e fácil redação: Ainda referente à leitura, quanto mais informações e conhecimentos tivemos com relação ao assunto que vamos escrever, mais fácil e fluente sairá o texto. Ter alguns bate-papos informais com pessoas ligadas ao tema também ajuda muito.

E se você estiver desanimado em escrever o seu texto, tente começar mesmo assim. Muitas vezes, nós que já estamos acostumados a escrever – principalmente livros -, começamos o nosso trabalho com algumas dúvidas e certos receios; mas quando estamos chegando na metade e vemos o texto começar a tomar forma, temos cada vez mais o interesse em trabalhar nele. Às vezes, a ansiedade é tanta (como quem vive um grande amor!!!), que queremos passar o tempo todo escrevendo, até chegar ao seu final.

Acervo Inclusivo Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Militante das questões referentes às pessoas com deficiência desde a década 1980, nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica como psicólogo e psicanalista, tendo cinco pós-graduações e dois doutorados. Como escritor tem uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados, peças teatrais e roteiros audiovisuais.