Aula 12 – Metodologia E Avaliações

Nas Adaptações Curriculares teremos um conjunto de modificações que se realizam nos objetivos, conteúdos, critérios e procedimentos de avaliação, atividades e metodologias para atender às diferenças individuais dos alunos, feitas em dois grupos:

Adaptações Metodológicas e Didáticas:

situar alunos nos grupos com os quais possa trabalhar melhor;

adotar métodos e técnicas de ensino-aprendizagem específicas para o aluno, na operacionalização dos conteúdos curriculares, sem prejuízo para as atividades docentes;

utilizar técnicas,  procedimentos  e  instrumentos  de  avaliação  da classe, quando necessário, sem alterar os objetivos da avaliação  nem seu conteúdo;

propiciar apoio físico, visual, verbal e gestual ao aluno impedido, temporária ou permanentemente, em suas capacidades, de modo a permitir a realização das atividades escolares e do processo avaliativo, apoio oferecido pelo professor regente, pelo professor de sala de recursos, pelo professor itinerante ou pelos próprios colegas;

introduzir atividades individuais complementares para o aluno alcançar os objetivos comuns aos demais colegas, realizadas na própria sala de aula, na sala de recursos ou por meio do atendimento itinerante, devendo realizar-se de forma conjunta com os professores regentes das diversas áreas, a família ou os colegas;

introduzir atividades complementares específicas para o aluno, individualmente ou em grupo, que possam ser realizadas nas salas de recursos ou por meio do atendimento itinerante;

eliminar atividades que não beneficiem o aluno ou  restrinjam  sua participação ativa e real ou, ainda, as que ele esteja impossibilitado de executar;

suprimir objetivos e conteúdos curriculares que não possam ser alcançados pelo aluno em razão de sua deficiência, substituindo-os por outros acessíveis, significativos e básicos.

Adaptações nos Conteúdos Curriculares no Processo Avaliativo

adequar os objetivos, conteúdos e critérios de avaliação, modificando-os de modo a considerar, na sua consecução, a capacidade do aluno em relação ao proposto para os demais colegas;

priorizar determinados objetivos, conteúdos e critérios de avaliação;

dar ênfase a objetivos concernentes à(s) deficiência(s) do aluno não abandonando os objetivos definidos para o seu grupo, mas  acrescentado aqueles relativos às complementações curriculares específicas, para a minimização de suas dificuldades e desenvolvimento do seu potencial;

mudar a temporalidade dos objetivos, conteúdos e critérios de avaliação de desempenho do aluno em Língua Portuguesa, na modalidade escrita – considerar que o aluno surdo pode alcançar os objetivos comuns do grupo, em um período mais longo de tempo. Deve-lhe ser concedido o tempo necessário para o processo ensino-aprendizagem e para o desenvolvimento das suas habilidades, considerando a deficiência que possui. Por meio dos critérios de avaliação correspondentes, pode-se verificar a consecução dos objetivos propostos ao longo do ano letivo, ou pelo período de duração do curso frequentado pelo aluno;

introduzir conteúdos, objetivos e critérios de avaliação – acrescentar esses elementos na ação educativa pode ser indispensável à educação do surdo. O acréscimo de objetivos, conteúdos e critérios de avaliação não pressupõe a eliminação ou redução dos elementos constantes do currículo oficial referentes ao nível de escolarização do aluno.

E, tratando-se de alunos com necessidades educacionais especiais, o processo avaliativo deve focalizar:

os aspectos do desenvolvimento (biológico, intelectual, motor, emocional, social, comunicação e linguagem);

o nível de competência curricular (capacidades do aluno em relação aos conteúdos curriculares anteriores e a serem desenvolvidos);

o estilo de aprendizagem (motivação, capacidade de atenção, interesses acadêmicos, estratégias próprias de aprendizagem, tipos preferenciais de agrupamentos que facilitam a aprendizagem e condições físico-ambientais mais favoráveis para aprender).

Quando direcionado ao contexto educacional, o processo avaliativo deve focalizar:

o contexto da aula (metodologias, organização, procedimentos didáticos, atuação do professor, relações interpessoais, individualização do ensino, condições físico-ambientais, flexibilidade curricular etc.);

o contexto escolar (projeto pedagógico, funcionamento da equipe docente e técnica, currículo, clima organizacional, gestão etc.).

Quando direcionado ao contexto familiar, o processo avaliativo deve focalizar, dentre outros aspectos:

as atitudes e expectativas com relação ao aluno;

a participação na escola;

apoio propiciado ao aluno e à sua família;

as condições socioeconômicas;

as possibilidades e pautas educacionais;

a dinâmica familiar.

Esses processos avaliativos deve seguir os critérios adotados para todos os demais alunos ou adotar adaptações, quando necessário. O MEC recomenda alguns aspectos precisam ser considerados para orientar a promoção ou a retenção do aluno na série, etapa, ciclo (ou outros níveis):

a possibilidade do aluno ter acesso às situações escolares regulares e com menor necessidade de apoio especial;

a valorização de sua permanência com os colegas e grupos que favoreçam o seu desenvolvimento, comunicação, autonomia e aprendizagem;

a competência curricular, no que se refere à possibilidade de atingir os objetivos e atender aos critérios de avaliação previstos no currículo adaptado;

o efeito emocional da promoção ou da retenção para o aluno e sua família.

As adaptações curriculares devem ser precedidas de uma rigorosa avaliação do aluno nos seguintes aspectos: competência acadêmica; desenvolvimento biológico, intelectual, motor, linguístico, emocional, competência social e interpessoal; motivação para os estudos, entre outros que indiquem ser as adaptações realmente indispensáveis a sua educação.

É imprescindível que se analise o contexto, escolar e familiar, a fim de que possa haver mudanças adaptativas necessárias à educação do aluno; as avaliações relativas às condições do aluno e do seu contexto escolar e familiar devem ser realizadas pela equipe docente e técnica da unidade escolar, com a orientação do corpo dirigente, contando com o apoio da DRE/Secretarias de Educação (dirigente da Educação Especial) da localidade, se necessário; as adaptações curriculares devem estar contextualizadas e justificadas em registros documentais que integram a pasta do aluno; as programações individuais do aluno devem ser definidas, organizadas e realizadas de modo a não prejudicar sua escolarização, seu sucesso e promoção escolar, bem como  sua socialização.

Acervo Inclusivo Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Militante das questões referentes às pessoas com deficiência desde a década 1980, nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica como psicólogo e psicanalista, tendo cinco pós-graduações e dois doutorados. Como escritor tem uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados, peças teatrais e roteiros audiovisuais.