Aula 18 – A Ansiedade Como Primeiro Desafio A Ser Vencido

Hoje, falamos muito de Inclusão Social ou Escolar, um novo modelo social que retirou todo aquele caráter médico que envolvia questões referentes às pessoas com deficiência. Enquanto psicólogo, tenho notado que os discursos de várias pessoas que falam em Inclusão Escolar também esbarram em questões culturais e/ou até certo comodismo por parte de algumas pessoas envolvidas.

É muito comum eu receber em meu consultório muitas pessoas desorientadas, querendo entender o que realmente é essa Educação Inclusiva e como seu filho com deficiência pode participar e ter sucesso nela! Ou recebo e-mais de professores e diretores de escolas me pedindo orientações e aconselhamentos.

Por outro lado, canso de ouvir professores dizerem que não estão preparados para receberem alunos com deficiência. Não há maldade nisto, mas um estado de ansiedade e, em muitos casos mesmo que seja de forma inconsciente, um mecanismo de defesa contra algo desconhecido.

Nossas ansiedades são uma característica biológica do ser humano, as quais antecedem momentos de perigo real ou imaginário, marcadas por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax e transpiração. Tanto a ansiedade quanto o medo não surgem na vida da pessoa por uma escolha, mas vivências interpessoais e problemas na primeira infância podem ser importantes causas desses sintomas.

Para a maioria dos professores e para a grande parte da população ainda há aqueles velhos conceitos culturais referentes às pessoas com deficiência, pois imaginam que a deficiência está associada ao estado de doença e/ou que não as pessoas com deficiência não se desenvolvem ou aprendem como as demais. Ora, a aprendizagem e o desenvolvimento humano são individuais e ninguém tem um modelo a seguir.

Diante da Educação Inclusiva, pais, professores e outros envolvidos querem rapidamente encontrar soluções de como trabalhar com aquele aluno. A dica é que primeiro o receba e, nos primeiros dias, conheçam-se mutuamente, pegando confiança e o jeito um do outro.

Ao mesmo tempo em que for buscando o maior número possível de informações sobre o aluno e formas de trabalhar com ele, o professor descobrirá naturalmente no dia a dia suas próprias técnicas e adaptações de atuação em cada caso. Será importante que os pais também não se angustiem ou procurem respostas rápidas da parte da escola.

Afinal, sendo a Educação um processo feito por etapas, por que diante da Inclusão Escolar muitos procuram respostas rápidas? O reflexo da vida moderna que nos cobram resultados e que geram nossas ansiedades não podem entrar na sala de aula inclusiva. São dicas sobre isso que veremos nos capítulos a seguir!

Acervo Inclusivo Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Militante das questões referentes às pessoas com deficiência desde a década 1980, nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica como psicólogo e psicanalista, tendo cinco pós-graduações e dois doutorados. Como escritor tem uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados, peças teatrais e roteiros audiovisuais.