Aula 25 – As Relações Entre Alunos Com E Sem Deficiência

Fundamental para o sucesso da Escola Inclusiva não será apenas jogar essa responsabilidade nas costas dos professores. Todas as demais pessoas, diretores, inspetores, atendentes, o pessoal da cantina, da limpeza, da manutenção, os demais alunos, as famílias e comunidade em geral estejam envolvidas no mesmo objetivo.

Professores com alunos em processo de inclusão, se necessário, poderão receber apoio e auxiliares na sala de aula. Esses educadores precisão receber treinamentos constantes. A escola poderá receber de tempos em tempos, a visita dos professores itinerantes e/ou outros especialistas no assunto para avaliar como anda o processo, passar instruções, tirar dúvidas, dar treinamentos.

Enfim, o que quero dizer com tudo isso, é que o professor dentro de uma Sala de Aula Inclusiva é o personagem direto da Inclusão Escolar; mas por trás dele, deverá estar todo um arsenal de apoio material e humano. O trabalho em equipe entre os profissionais de uma escola pode contribuir, e muito, para uma convivência harmoniosa, construída coletivamente, que certamente irá refletir na relação educador/educando e no processo de ensino e de aprendizagem.

Neste contexto, as relações professores e alunos devem adquirir uma dimensão de transparência e respeito. Uma escola realmente plural. E os benefícios da educação inclusiva para todos os estudantes, segundo o Programa da ONU em Deficiências Severas, publicado em 1994, são:

Para os estudantes com deficiência:

Desenvolvem a apreciação pela diversidade individual;

Adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas;

Demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos;

Estão mais bem preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas:

Frequentemente experimentam apoio acadêmico adicional da parte do pessoal da educação especial;

Podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas (aprendizado cooperativo, uso de tecnologia baseada em centros de aprendizagem, etc.).

Para os estudantes sem deficiência:

Têm acesso a uma gama mais ampla de modelos de papel social, atividades de aprendizagem e redes sociais;

Desenvolvem, em escala crescente, o conforto, a confiança e a compreensão da diversidade individual deles e de outras pessoas;

Demonstram crescente responsabilidade e crescente aprendizagem através do ensino entre os alunos;

Estão mais bem preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas;

Recebem apoio instrucional adicional da parte do pessoal da educação comum;

Beneficiam-se da aprendizagem sob condições instrucionais diversificadas.

Essa convivência abre a oportunidade para a escola trabalhar essas questões como um tema transversal, pois ela é local de dialogo, de aprender a conviver, vivendo a própria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural. O grande desafio da escola será investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada ela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade.

Em uma livre citação, no geral, pensar em Inclusão Escolar, é levar em conta as palavras da pedagoga Maria Teresa Eglér Mantoan: “É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos”.

Acervo Inclusivo Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Militante das questões referentes às pessoas com deficiência desde a década 1980, nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica como psicólogo e psicanalista, tendo cinco pós-graduações e dois doutorados. Como escritor tem uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados, peças teatrais e roteiros audiovisuais.