Caminhos Para Publicação

Grande parte das pessoas, quando terminam e têm os seus trabalhos aprovados, dão a missão por terminada. Mas alguns podem ter o desejo de publicá-los. Então, como um material complementar, resolvi incluir estes dois capítulos para àqueles que queiram ter uma noção geral dos caminhos para publicação, sobretudo, em livros.

No mercado editorial, várias regras são estabelecidas, uma que já se sabe que o leitor compra o que quer, quando quer e tem muitas outras alternativas de entretenimento. Por isto, os distribuidores e livreiros compram apenas os títulos que desejam e os expõem do modo que acham apropriados para interessar seus clientes.

As editoras aceitam os originais que acham melhores e de acordo com seus ideais e práticas comerciais, selecionando obras que julguem comerciais, obedecendo os seguintes princípios:

  • Despertar o interesse de alguém (visibilidade de venda)
  • Motivar a compra (público em potencial)
  • Ser recomendado (prestígio para a editora)
  • Mudar as ideias do leitor (ideais)
  • Combinar com a editora (sobrevivência de sua linha editorial)

Para publicar o seu trabalho em forma de livro, você poderá seguir dois caminhos: ou tentar uma editora comercial, ou uma prestadora de serviço (cujas obras são financiadas pelos próprios autores). Vejamos a vantagem e desvantagens de cada um:

EDITORA COMERCIAL

Vantagens das editoras comerciais:

  • Assumem os custos do livro
  • Trabalham com profissionais qualificados
  • Comercializam em livrarias de todo o país
  • Divulgam a obra para a imprensa
  • Interessam-se em promover o autor a longo prazo
  • Tem o prestigio de sua marca

 

Desvantagens:

  • Tomam todas as decisões sobre aparência e marketing
  • Comercializam muitos livros, o seu é apenas mais um
  • Remuneram em no máximo 10% do preço de capa

PRESTADORES DE SERVIÇO

Vantagens dos prestadores de serviço:

  • Seguem todas as instruções do autor
  • Apresentam qualidade muito variável
  • Entregam no prazo e nas condições determinadas
  • Permitem edições independentes do gosto do mercado

Desvantagens:

  • Cobram por todos os serviços
  • Apresentam qualidade muito variável
  • Não tem qualquer envolvimento com o sucesso da obra ou do autor
  • Não comercializam a obra
  • Não tem prestigio no mercado editorial

ACERTOS E ERROS

Algumas dicas precisam ser observadas sobre o que fazer para editar:

O que fazer

  • não ter pressa em editar o seu livro, deixando amadurecer a ideia
  • enviar para amigos, colegas de trabalho, pessoas de sua área para que deem um parecer sobre a obra
  • estar aberto às sugestões e críticas que enriqueçam o texto
  • procurar a editora certa, saber quais as editoras que publicam o gênero de seu livro
  • levar o trabalho original completo e impresso, com uma carta de apresentação
  • ter uma boa apresentação (as folhas devem ser do mesmo tamanho) e uma boa organização, facilitando assim a leitura a análise da obra
  • não esquecer que se a obra tem valor ela vai emplacar

O que não fazer

  • sair correndo e editar o primeiro livro, decepcionando-se depois e encerrando assim o que poderia ser uma brilhante carreira
  • enviar o livro achando que, se foi você que escreveu e diz que está bom, então ele já está pronto para ser editado
  • não ouvir as outras pessoas e nem acatar o conselho do editor
  • levar o trabalho em arquivo digital (o editor já vai gastar tempo e dinheiro imprimindo o livro, sem mesmo saber o que vai encontrar)
  • colocar folhas de diversos tamanhos e nem incluir folhas manuscritas
  • a má organização do trabalho faz com que o editor  perca tempo para organizá-lo, perdendo a vontade de lê-lo
  • desistir

 

IMPORTANTE: Muitas vezes, porém, os originais podem ser apresentados à editora certa, mas de forma não correta. Um exemplo prático são as dissertações de mestrados e teses de doutorados apresentadas às editoras universitárias; seus autores as apresentam do jeito acadêmico que foram escritas, não adaptando-a linguagem editorial. Ou seja, um texto difícil de digerir em forma de livro, além de citarem muitas referências bibliográficas, com muitos capítulos teóricos, não conseguido engajar o leitor um único assunto.

Por isso, 80% dessas teses são devolvidas sem condições de publicação. E, para que isso não ocorra com o seu trabalho, recomendamos que procure pessoas ou assessorias especializadas (agentes literários ou preparadores de textos profissionais) para avaliar e adequar os seus originais antes de encaminhá-los para uma editora.

 

LINHA EDITORIAL ADEQUADA

Infelizmente, a enorme maioria dos originais que chegam à uma editora não tem nada a ver com a linha editorial da mesma. Por exemplo, a Livraria Cultura de São Paulo tem mais de cem divisões principais, fora as subdivisões. Essas podem ser consideradas linhas de publicações praticadas pelo mercado. E se você quer ter alguma chance de ser considerado por uma editora, precisa encontrar uma que publique o gênero/temática dentro do qual a sua obra se encaixa, inclusive com o mesmo enfoque que você deu.

Nessa seleção, você precisa ter muita frieza. As editoras não têm interesse em adequar as suas linhas a você, é você quem precisa se adequar à elas. Se a sua obra é “mais ou menos” parecida com as que uma casa publica, você vai ser recusado. Não adianta você levar sua autobiografia (sendo que você um pedagogo, por exemplo), se ela tem um caráter de obras de arquitetura. As editoras de arquitetura vão todas recusar a sua obra e apenas editoras que eventualmente publicarem de educação de pessoas não famosas poderão se interessar.

A maneira de saber o que as editoras publicam é indo até uma boa livraria e vendo o que foi lançado em sua área. Não adianta tampouco localizar editoras que nos anos setenta publicavam literatura nacional, mas que agora se dedicam apenas à informática. Muitas vezes, as linhas editoriais são fruto das preferências de um editor específico, que pode se aposentar ou trocar de emprego. Verifique o que tem acontecido no mercado nos últimos dois anos.

Nunca — nunca! — mande uma carta dizendo “não conheço a sua editora, mas estou enviando minha obra”. A pessoa que seleciona os originais vai pensar que, se você não se deu ao trabalho de fazer uma simples pesquisa em uma livraria, com certeza não está apresentando uma obra adequada à linha editorial da casa. Para que insultar uma empresa que você quer que se interesse por sua obra?

 

ORIGINAIS IMPRESSOS, LIMPOS E ORGANIZADOS

Quando for enviar seu material a uma editora, imprima ou fotocopie o seu original sem sujeiras ou áreas cinzentas ou letras apagadas. Evite também correções à mão. E nem pense em mandar alguma coisa datilografada ou escrita à mão! O computador veio para ficar e é instrumento sine qua non dos escritores. Se você não tiver um, mande alguém digitar seu texto. A editora que aceita um original para publicação nem imagina, nos dias de hoje, mandar aquela obra ser digitada, ela simplesmente requisita que você envie o arquivo digital.

Por outro lado, não gaste seu dinheiro com encadernações luxuosas ou fotos de autor produzidas em estúdio. O necessário é enviar um material fácil de ler, não um livro acabado.

É completamente irrelevante fazer uma diagramação caprichada de sua obra, como se as páginas fossem ser impressas a partir dali. Os programas usados para a paginação profissional de livros são atualizados programas de designer e tudo o que você faz no Word exceto o texto é perdido na transcrição. Fontes exóticas, cores, tabulações, recuos e outros recursos para embelezar as páginas devem ser evitados porque chegam a atrapalhar. Use apenas o que for necessário para diferenciar títulos de subtítulos e de aberturas de capítulo.

Não apresente ideias de capa ou de ilustrações internas. Enviar uma capa desenhada por um amigo dá a impressão de que você é um amador que não entende absolutamente nada de publicações. A capa é uma decisão editorial e de marketing importante, que envolve a imagem e o estilo da editora. A menos que você esteja apresentando o trabalho de um capista qualificado e experiente, sua sugestão irá apenas aborrecer o editor.

O mesmo se refere à contracapa e orelhas. Escrever esses textos é tarefa da editora, evite parecer ridículo e elogiar seu próprio trabalho.

Faça uma revisão de seu texto. Apartes do tipo “essa obra não foi revisada, sei que a editora conta com ótimos profissionais” não impressionam nada bem. Use pelo menos o Word e sua revisão ortográfica consegue. Ou peça a um amigo ou a um revisor profissional para eliminar pelo menos os erros ortográficos mais gritantes, se isso está fora do seu alcance.

Numere as páginas de sua obra. Ela não precisa estar encadernada, mas se não estiver numerada, um acidente, como deixá-la cair ao chão, pode tornar a leitura impossível.

Escreva o nome da obra, seu nome verdadeiro e de eventuais co-autores, seu endereço, e-mail e telefones de contato na primeira página. Muitas obras se perdem porque os autores colocam seus endereços apenas no envelope, e este se separa da obra ao ser enviado para leitura. Se quiser ser mesmo cauteloso, imprima seu nome e telefone no alto de todas as páginas, como um cabeçário. O eventual uso de pseudônimos pode ser decidido depois, caso um contrato venha a ser negociado.

Acrescente apenas as ilustrações e gráficos que forem necessários à compreensão do texto, uma vez que é a editora que decide como diagramar seus livros. Se você precisar incluir imagens que não sejam suas, terá de citar a fonte completa ou, em caso de fotos, pedir permissão para a reprodução. Evite se apropriar de material publicado em outros livros, visto que dá muito trabalho ficar obtendo permissão das editoras originais.

Finalmente, a menos que a editora instrua expressamente dessa forma, não mande obras em cd ou por e-mail. Primeiro, porque esta é uma excelente maneira de transmitir vírus, e é pedir demais que a editora se arrisque com centenas de textos só para a sua comodidade. Segundo, porque essa é uma excelente maneira de não ser lido. Será pedir demais que a editora imprima centenas de originais só para saber do que se tratam.

Em resumo: mande uma cópia impressa, clara, limpa, revisada, sem enfeites, com seu nome e endereço na primeira página.

CARTA DE APRESENTAÇÃO

Seu original deve ser acompanhado de uma carta simples e resumida de apresentação. Nela é ideal que você cite algumas coisas.

Comece com o nome do editor responsável pela área. Faça uma pesquisa e evite o genérico “Excelentíssimo senhor editor”, porque muitos editores são jovens sem qualquer afinidade com honoríficos, e mais da metade são mulheres! Melhor começar com “Prezada dona Sônia”.

Mencione o gênero de sua obra e a coleção em que ela se encaixa na editora, ou uma obra na mesma linha que aquela casa tenha publicado. Isso demonstra que você se deu ao trabalho de pesquisar o catálogo da editora e sabe o que ela publica.

Explique rapidamente o diferencial de sua obra em relação a outras no mercado. Não é bom você dizer que sua obra é parecida com a de um grande mestre porque o editor preferirá continuar publicando quem já é conhecido. É mais eficiente você dizer em que a sua obra é melhor, ou mais abrangente, ou mais atualizada que a do grande mestre, para que o editor se interesse em concorrer com a obra já famosa.

Se você escreveu uma obra de não-ficção, precisa mencionar suas qualificações como autor: Se é professor, pesquisador, aficcionado pela área etc. Note que não adianta você ser um juiz renomado se está apresentando um livro sobre natação, nem querer publicar uma crítica ao sistema judiciário se você é professor de educação física. Você precisa demonstrar ao editor que entende do assunto sobre o qual está escrevendo. Se tiver outras obras publicadas, mesmo que apenas artigos, mencione-as.

Recomendações de pessoas importantes contam, mas apenas as de profissionais da área sobre a qual o livro trata. Se seu livro é de culinária, colecione comentários de chefes e donos de ótimos restaurantes, e esqueça os de amigos e parentes. Se a sua mãe e os seus amigos não elogiarem você, quem irá fazê-lo?

Cuidado com as recomendações dúbias. Muita gente famosa evita fazer referências positivas a obras de amigos e conhecidos, optando por declarações simpáticas e vazias. Editores são mestres na leitura entrelinhas, e uma recomendação dessas pode acabar funcionando contra a sua publicação. Cite apenas quem fala indubitavelmente bem de seu trabalho.

Caso você trabalhe em algum meio de comunicação poderoso, ou tenha acesso a muitos clientes, alunos ou outros possíveis compradores de seu livro, mencione isso rapidamente. Conquanto não seja suficiente para que sua obra seja publicada, pode ajudar na decisão caso haja dúvida sobre a editora arriscar em você ou não.

Em sua carta, evite adjetivos e comentários auto elogiosos como “essa é a melhor obra que você já leu”, porque o editor prefere julgar por si mesmo. Também passe longe de argumentos como “publique logo ou irá se arrepender”. Você querer ensinar a missa ao padre só aborrece, e desperta pensamentos do tipo “se você tem tanta certeza que sua obra será um sucesso, porque não pede um empréstimo ao banco e a publica você mesmo? Seria você quem ganharia todo esse dinheiro que diz que eu vou ganhar…”

Editores têm uma longa experiência de sucessos e fracassos e sabem que ninguém – mas ninguém mesmo! – consegue garantir que uma obra será um sucesso. Já viram autores de muita vendagem lançar livros que acumulam poeira nos depósitos, assim como obras esquisitas de repente caírem nas graças do público.

Acervo Inclusivo Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Militante das questões referentes às pessoas com deficiência desde a década 1980, nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica como psicólogo e psicanalista, tendo cinco pós-graduações e dois doutorados. Como escritor tem uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados, peças teatrais e roteiros audiovisuais.