EDUCAÇÃO INCLUSIVA – COMO ELABORAR MONOGRAFIAS

FAZER UMA MONOGRAFIA É NÃO TER MEDO DE ERRAR!

Ao longo dos últimos anos e, principalmente quase todos os dias, recebo mensagens de pessoas me pedindo ajuda ou orientação na elaboração de suas monografias, TCCs e outros trabalhos acadêmicos dentro do universo da Educação Inclusiva e/ou das questões que envolvem as pessoas com deficiência.

A minha vontade sempre foi atender a todos. Mas pelo alto número de pedidos e por causa da minha própria deficiência, paralisia cerebral, que me permite digitar só com um dedo em um tempo mais lento, isso não é possível. Mesmo porque meus cursos gratuitos em Educação Inclusiva já passam de mais de vinte mil pessoas em todo o país e exterior, o que aumenta consideravelmente esses pedidos de ajuda.

Pensando em uma maneira de ir ao encontro dessa demanda e não deixar essas pessoas que me procuram sem um apoio, foi que decidi escrever de maneira didática EDUCAÇÃO INCLUSIVA – COMO ELABORAR MONOGRAFIAS como se fosse mesmo uma Orientação pessoal ou uma Consultoria. E toda a série de posts estão no Menu ao lado.

Nele, coloco um pouco da minha experiência como pesquisador cientifico desde o início dos anos 1990, participando de várias pesquisas em universidades ou particulares, redigindo monografias, dissertações, teses e quase cem artigos científicos publicados em vários países. E são esses conhecimentos acumulados que compartilho em minhas aulas, cursos e muitos livros. Sobretudo, como autor científico ou pedagógico, aprendi a codificar todo esse conhecimento, escrevendo em uma linguagem fácil e objetiva.

E como consegui fazer tudo isso? Mantendo este pensamento:

“Sei que algumas coisas que faço, produzo ou escrevo podem apresentar erros. Só que, o feito é melhor que o perfeito escondido em uma gaveta. Sempre estarei em busca de resultados e não de reconhecimentos acadêmicos ou eruditos. E com os meus passos dentro das minhas possibilidades, com meus erros e acertos, continuarei fazendo a minha parte para uma Escola e uma Sociedade inclusiva!”

E fazer uma monografia também deva ser um ato de quem não tenha medo de errar!!!

 

A IMPORTÂNCIA DE NOVAS PESQUISAS EM EDUCAÇÃO INCLUSIVA

Como eu disse, há três décadas estou militando nessa área. E uma coisa me preocupa. Sempre que alguém é solicitado a fazer pesquisa sobre Educação Inclusiva, sua primeira iniciativa é consultar os sites de publicações científicas. Ao digitar o tema relacionado com seu projeto nos buscadores, realmente surgirão inúmeros títulos. Porém, uma decepção: não há ainda relato de pesquisa de campo ou documental com essa temática.

Parto daqui para minha reflexão. Já há vários anos tenho lido livros e artigos nessa área. É interessante notar que os conteúdos, conceitos são quase os mesmos. Estou seguro em afirmar que esses textos em português são, geralmente, a cópia da cópia da cópia. E até os mesmos exemplos são reproduzidos livremente. Para quem tem familiaridade com essas produções, ao ler alguns já se sabe de onde o autor tirou – para não dizer colou – tais informações.

O que isto nos denuncia? Que a literatura científica brasileira referente às questões das pessoas com deficiência e/ou Educação Inclusiva sempre foi constituída de artigos de revisão bibliográfica. Ou pelo menos, que quem esteja produzindo pesquisas não está publicando ou colocando novos conhecimentos disponíveis à comunidade científica ou educacional. Ainda mais em uma área que carente de definições, novos planejamentos e diretrizes.

Talvez esse fato comece a mudar com a Iniciação Científica, estimulando pesquisas de campo, dando origem às monografias, artigos e comunicações científicas, novos e aprofundados estudos e inéditos conceitos alcançados. Que alunos sejam estimulados não apenas na esfera teórica de descobertas lógicas ou de simples experimentação laboratorial.  Que o ato de estar desenvolvendo uma pesquisa não vise mudar toda uma realidade, mas, sim, propiciar melhores condições de vida daqueles que estejam ao seu alcance. Seja essa pesquisa em nível particular, tecnológica ou universitária.

Tornando a realização dessas pesquisas, certamente surgirão conhecimentos muito interessantes e inéditos e, finalmente, novas pesquisas de campo, como a de avaliar melhor a política de Inclusão Escolar está sendo praticada no Brasil. Estaremos produzindo algo novo, derrubando velhos e explorados conceitos e, sobretudo, buscando uma melhor qualidade de vida para as pessoas, ampliando a produção e democratizando a discussão de tantos outros escritos científicos.

Assim, quem sabe, num futuro próximo, quando formos aos sites de artigos científicos procurar um trabalho com relato de pesquisa realizada sobre temáticas relacionadas à Educação Inclusiva, poderemos ficar em dúvida qual escolher!

Prof. EMILIO FIGUEIRA

 

NOTA:  O conteúdo dessa série também está disponível em livro. Caso seja do seu interesse clique aqui

Acervo Inclusivo Emílio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Militante das questões referentes às pessoas com deficiência desde a década 1980, nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica como psicólogo e psicanalista, tendo cinco pós-graduações e dois doutorados. Como escritor tem uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados, peças teatrais e roteiros audiovisuais.