ARTES PLÁSTICAS: UM CICLO DE TRÊS ANOS

Pinturas a Guache, Óleo Sobre Tela, Aquarelas, Desenhos a Lápis, Carvão, Nanquim, Geométricos, Gráficos e Ilustrações de Livros Infantis. 

Veja ao final deste relato como baixar gratuitamente este Catálogo Completo

Minha vida sempre foi de muito experimentalismo. No início dos anos 2000, talvez em uma retomada inconsciente da época que eu desenhava muito no apartamento quando criança, voltei a pintar. Ia à livraria, comprava papel-cartão, lápis aquarela, tintas guache, carvão, e desenhava, desenhava, desenhava, pintava, pintava, pintava…

Minha primeira oficina foi a ”Aventura da Escrita”, trabalhando temas desde a época da das cavernas até a chegada de escrita. Biblioteca Infantojuvenil/Brinquedoteca da Biblioteca Municipal “Rodrigues de Abreu”, no Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva “Mestre Cirilo”, dezembro de 1999 à  janeiro de 2000. Essa oficina foi ministrada por Nadja Maria Rodrigues Góes, formada em Educação Artística com habilitação em Artes Plástica, aperfeiçoamento em deficiência auditiva, intelectual e visual, além de arte-terapeuta.

Com a Nadja realizei a exposição “500 Anos de Brasil na Visão de Emílio Figueira & Nadja Goez” com painéis refletindo a história do país no Museu Histórico Municipal de Bauru.

Entrei como aluno no ateliê do artista plástico Leandro Gonçalez Pirez, fazendo aulas duas vezes por semana, aprendendo técnicas da pintura de óleo sobre tela. Entre junho à dezembro de 2000, conclui o “Curso de Estudo, Esboço e Pintura a Óleo”, recebendo o meu primeiro certificado na área.

Confesso que nessa época tive que vencer um autopreconceito; sempre tinha na mente aquelas pinturas acadêmicas perfeitamente pintadas e sofria muito em pensar que a minha coordenação motora nunca me permitiria atingir esse nível. Mas com o tempo, fui descobrindo que havia outras formas de expressão com as quais eu poderia me desenvolver plenamente, como por exemplo, o expressionismo e o abstracionismo. Com o tempo, fui desenvolvendo o conceito de que a verdadeira arte não é a cópia fiel da realidade e sim a transcendência das criações artísticas. Interessante também foi notar que quanto mais eu pintava, mais a minha coordenação ia se afinando e meus traços ficando melhores e firmes. É dessa fase a pintura do meu autorretrato.

Fiz outros cursos com professores com propostas diferentes na Casa de Cultura. Nessa érea foi a e única vez que tive um apelido: Pouca Telha, por causa da minha careca. Mesmo com toda a minha dificuldade motora, tive uma oportunidade de conhecer diferentes linhas de pintura, principalmente o modernismo e expressionismo. De todas as técnicas aprendidas, a minha paixão foi o guache, por representar a liberdade de criar como uma criança. Interessante que quanto mais eu praticava, mais minha coordenação motora afinava e meus traços ficavam firmes.

Durante todo esse período, além das aulas e de minha produção, eu lia muito sobre histórias e teorias artísticas. Comprei muitos livros, pesquisei muita coisa na internet. Passava as tardes na biblioteca municipal folheando livros com imagens dos artistas universais brasileiros, principalmente de nossos modernistas – Tarcila do Amaral, minha preferida – e dos paulistas do século XIX – Benedito Calixto e Almeida Junior. Troquei correspondências com inúmeros outros artistas e professores de arte.

Comecei a estudar História da Arte e História da Música no Instituto Contemporâneo de Arte – ICA, de Bauru. Paralelo, fui cursar em uma escola profissionalizante um pouco de artes gráficas e de editorização. Com essa nova motivação, peguei antigos textos infantis meus – alguns até da minha infância – e criei e ilustrei vários livrinhos “O astronauta que vende bananas”, “O mergulhador e a vida” – infantil”, “Memórias de uma menina sapeca”, “O machado e a árvore”, “Os brinquedos”, “O prego e o martelo” – esses últimos três estão ao final deste Catálogo.

Nesse experimentalismo, em 2001, cheguei a criar cartuns para a Folha de Guaraçaí, publicados quinzenalmente com representações humanísticas de pessoas, fatos, situações, nas quais certas particularidades ou traços característicos são acentuados ou até mesmo exagerados.

 

SEMANA EMÍLIO FIGUEIRA

 

Entre os dias 02 e 10 de agosto de 2001, a Gonçalez Comunidade Artística, realizou em Bauru, a SEMANA EMÍLIO FIGUEIRA. Nessa exposição individual, além da comercialização de onze telas a óleo pintada em minha primeira fase de artista, foi lançado o livro TRAÇOS DE INTERIOR – TRAÇOS RISCOS E RABISCOS CARVOENTOS!, uma proposta de design gráfico, contendo vinte e duas minicrônicas, cada uma ilustrada por uma imagem a carvão.

A exposição foi capa do Caderno de Cultura do Jornal da Cidade com o título: “Emílio e a arte dos rabiscos”, onde em certo trecho o jornalista Ricardo Pelottini escreve: “Nostálgico e sensível, Emílio enche suas recordações de humor e críticas sutis. Os textos que contornam o singelo livreto – concebido, escrito, ilustrado. Produzido e editado pelo autor -, falam de coisas presentes da meninice de muitos na faixa dos 31, como a linha do trem, os jogos e brincadeiras de rua, as escolas e suas merendas, os velhos professores, festas juninas, o primeiro amor, músicas”.

Nessa ocasião, a jornalista Elaine de Souza escreveu no Jornal EM FOCO (Centrinho/USP/Bauru): Quem nunca ouviu falar de Emílio Figueira não sabe o que está perdendo. Escritor com ritmo de jornalista, ensaísta com um quê de poeta, dramaturgo com a seriedade de um escritor, poeta com alma de pintor… Pintor com a plenitude de um ser humano especial. Assim é Emílio, um multiartista incansável. Sua estreia como artista plástico só veio grifar sua importância como batalhador nato.”

 

PSICOLOGIA DA ARTE

 

Só que a SEMANA EMÍLIO FIGUEIRA marcaria o final dessa minha caminhada nas artes plásticas, como foi destacado na matéria de Ricardo Pelottini: “Ele considera esta Semana o fim de um ciclo de sua carreira. ‘Quero agora me dedicar à psicologia e me aprofundar em psicologia-da-arte e arte-educação’, diz”.

Comecei a escrever trabalhos científicos sobre artes que foram publicados em importantes revistas brasileiras: “O Vicente que virou Van Gogh”, “A presença da pessoa com deficiência na história da arte – Alguns apontamentos curiosos sobre artistas e personagens”, “Os dizeres de uma obra desconhecida – Proposta de análise isolada”, “A presença da pessoa com deficiência visual nas artes – Um panorama histórico e atual”, publicado em oito partes no site da Rede Saci e da união de um fasto material, produzi o “Pequeno inventário da arte e deficiência”, documentário de julho de 2002, que se encontra no acervo físico da Rede Saci.

Já cursando a faculdade, escrevi em 2003 a monografia “Bases Históricas Para Iniciação ao Estudo do Tema Arte e Loucura”, publicada posteriormente em dois livros. Outros estudos e ensaios escritos na época e ainda não publicados.

Neste Catálogo reuni praticamente todas as obras desse ciclo de três anos e você pode baixá-lo gratuitamente clicando aqui

EMÍLIO FIGUEIRA

Abril de 2018