Bom Dia SP e SPTVs: A Ética e o Jornalismo Comunitário De Uma Metrópole – Por Emílio Figueira

Hoje eu estava assistindo aos telejornais globais e fui reparando o cuidado e a neutralidade de como eles abordam suas notícias, principalmente as policiais.

Comecei a me lembrar de quando no início de minha adolescência, morando em uma pequena cidade do interior paulista, fui estagiar em uma tipografia que editava um semanário. Logo, eu já estava na redação do jornal, ainda nos tempos da máquina de escrever e laudas, produzindo meus primeiros textos e reportagens. Ali em um pequeno município, nossas abordagens eram totalmente locais.

Pensava que em grandes cidades, esse jornalismo comunitário iria desaparecer. Mas não…

O Bom Dia SP e os SPTVs praticam esse jornalismo comunitário com maestria. Desde o início da manhã, ali está a informação em tempo real de forma ágil e dinâmica, mostrando os caminhos de uma metrópole. Sobretudo, focando os transportes das periferias por décadas abandonado pelo poder público. E tantas outras pautas vão entrando, como uma saúde sucateadas, escolas públicas em péssimas condições. Problemas é que não faltam, estendendo-se em forma de muitas matérias na edição de meio dia e começo da noite. Questões tão recorrentes que parecem a reprise da represe da reprise…

Esses telejornais também prestam muitos serviços à comunidade por meio de reportagens, séries especiais, abertura para temas tão atuais e necessários, abordados com naturalidade e um jornalismo realmente profissional.

Pontos altos para mim, é que esses telejornais sempre estão nos bairros das periferias mais longínquas. Justamente lugares que muitos fazem questão de não se lembrar que existem, principalmente o poder público.

Esse mesmo poder público que diariamente é questionado. Prefeitos, secretários e administradores públicos, muitas vezes ao vivo, em velhos discursos políticos de balelas, onde eles nunca estão errados. Aliás, se político tivesse a humildade de também reconhecer seus erros ou falhas, seria meio caminho para resolver muitos dos problemas da cidade.

Podemos citar ainda, muitas matérias de coisas legais, culturais e esportivas que dão a equilíbrio certo aos telejornais.

Entre os profissionais envolvidos, sem citar nomes para não correr o risco de não esquecer nenhum, os apresentadores, repórteres e a moça do tempo, comunicam-se com uma carisma de tal tamanho, que nos traz a sensação de estarem ali presentes em uma conversa descontraída. E por traz, sei que há centenas de profissionais trabalhando pelo bom andamento desses telejornais. Todos que, se eu pudesse, abraçava-os como quem abraça bons amigos!

Dito isto, no início desta crônica, eu falei que hoje estava assistindo aos telejornais globais e fui reparando o cuidado e a neutralidade de como eles abordam suas notícias, principalmente as policiais.

Fazendo um contraponto com outros canais, atualmente um dos perigosos programas de televisão para a saúde mental sejam os Programas de Jornalismo Policial de certas emissoras. Verdadeiros espetáculos circenses (não querendo ofender os reais profissionais do circo!), onde os apresentadores parecem chamar os telespectadores de imbecis de tanto que gritam, pulam e exibem-se como se fossem os verdadeiros donos da verdade. Pior que isto, pegam a desgraça e o sofrimento alheio e fazem deles o maior sensacionalismo.

Em um misto de espetáculo e fatos ruins, vão implantando coisas negativas nas mentes das pessoas. Essas sem perceberem, estão tendo o inconsciente cada vez mais recheado de medos e pavores. Sensações que as aterrorizam no dia a dia. Sentem-se a todo instantes estarem sujeitos a ser as próximas vítimas das desgraças assistidas na televisão. Isso para algumas pessoas torna-se até patológico, temem contatos sociais, não sair mais de casa com tentos medos adquiridos.

Por outro lado, os telespectadores desses programas policiais também me lembram os antigos romanos que iam ao Coliseu divertir-se, vendo pessoas serem devoradas pelos leões. Só que hoje, sentam-se em seus sofás e assistem confortavelmente a desgraça alheia.

Mas a abordagem do jornalismo profissional e ético do Bom Dia SP e dos SPTVs, nega-se a esse sensacionalismo pela a audiência. Mesmo tendo toda a estrutura global, o grande chame desses telejornais é manter uma linguagem do jornalismo comunitário, lavando-nos a sentir como se a Paulicéia Desvairada ainda fosse uma cidade “única” e todos nós membros de uma pequena vila de 12,18 milhões de habitantes!

Emilio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programação Neurolinguística. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

Um comentário em “Bom Dia SP e SPTVs: A Ética e o Jornalismo Comunitário De Uma Metrópole – Por Emílio Figueira

  • junho 26, 2019 em 1:46 pm
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    Olá Emílio,
    Eu tenho opiniāo semelhante a respeito do jornalismo.
    Gostei bastante das suas colocaçoes em relaçāo à utilidade pública das reportagens, que muitas vezes
    é “confundida” com futilidade ou ridicularidade perversa.
    Abraço,
    Ana Maria

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