Como A Família Pode Contribuir Na Educação Inclusiva? – Por Emílio Figueira

A família possui papel importantíssimo dentro da educação de uma criança, seja positivamente ou negativamente. Mesmo com o consenso a respeito dessa verdade sobre a educação inclusiva, o debate (pedagógico, moral, jurídico e político) sobre como esse papel familiar deve ser exercido é quase sempre reaberto.

Os responsáveis sempre virão em primeiro lugar, pai e mãe têm mais do que o direito de colocar em prática o poder familiar, exercendo as escolhas educacionais de seus filhos, eles possuem também a responsabilidade e deve legal de decidir os pontos que atendam os interesses da criança.

Apesar disso, a liberdade dos pais não é total. Entra em jogo não apenas os direitos da criança, mas também o interesse público.

Nesse sentido, educar uma criança tem ligação com a formação de uma pessoa, que está sujeita às decisões dos seus pais, mas também com as escolhas de uma sociedade, consagrada por meio de políticas educacionais.

Dentro de uma democracia constitucional, que fala sobre cuidar até dos direitos individuais, existe espaço para as decisões autônomas familiares, entretanto alguns valores, a comunidade política não negocia com ninguém.

Se dentro de questões gerais o contexto educacional cria controvérsias, a situação é ainda maior quando falamos de educação inclusiva. Isso porque, além da novidade histórica, esse modelo chacoalha os princípios bases utilizados há mais de um século, a educação inclusiva renova e aprofunda muitas das questões desse modelo.

Quando a instituição escolar trabalha em parceria com os pais e familiares, a realização da inclusão pode ser ainda mais efetiva, funcionando de forma clara. Por essa razão, os pais são participantes da implementação da educação inclusiva como um sucesso político.

O papel dos pais na educação inclusiva

A educação inclusiva ainda não é uma ação naturalizada no discurso e muito menos na prática. Existem enormes desafios a serem superados, como o desenvolvimento da formulação de uma resposta vigorosa para o porquê de sua adoção no sistema brasileiro.

Os acertos dos casos já existentes de inclusão fazem com que o apoio a essa política se torne mais provável. A ideia de sucesso ou de acerto precisa adotar um projeto coerente com essa filosofia educacional totalmente igualitária.

O conhecido caso de Renata, aluna com Síndrome de Down que completou o ensino médio em 2013, em um Colégio de Santa Maria (SC), pode ser utilizado valiosamente para a discussão desse tema, porque sua família teve total contribuição em sua trajetória escolar.

Diferente de muitos alunos, Renata foi privilegiada por pertencer a uma família completamente ativa, que foi presente não só com a estrutura logística e emocional, mas que também monitorou cada atividade e dialogou com os educadores o que poderia ser mais produtivo para o seu perfil. Diagnosticando erros, cobrando por mudanças e pressionado para as adaptações.

Assim, o caso de Renata é uma evidência de caso de acerto: obteve um forte argumento em defesa dessa inclusão, mas não escondeu as dificuldades da implementação, sem deixar de reconhecer o valor de cada indivíduo participante para o desfecho da ação, equipe pedagógica e família.

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programação Neurolinguística. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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