COMO ENCONTRAR UM AMOR NA MEIA-IDADE – POR EMÍLIO FIGUEIRA

O ano passado publiquei o meu livro “COMO ENCONTRAR UM AMOR EM TEMPOS DE INDIVIDUALISMO”, um trabalho que escrevi com muito carinho. E aqui no meu blog há uma série de artigos sobre o tema camada Relacionamentos Amorosos.

Para minha surpresa, várias pessoas de meia-idade, escreveram-me pedindo informações, conselhos. Então, senti a necessidade de escrever estas linhas.

Uma pergunta recorrente e parafraseando o título do meu livro: Como encontrar um amor na meia-idade? Acredito que o primeiro passo é nos auto conhecermos e sabermos as nossas mudanças na meia-idade. Em seguida, identificarmos o que nos falta e traçar passos para atingimos o que desejamos.

Segundo Carl Jung, psicólogo e psiquiatra suíço, nessa fase sofremos grandes transformações em nossa personalidade por meio se uma crise pessoal. Isso acontece porque, via de regra, os problemas de adaptação do início da idade adulta já foram resolvidos e uma pessoa típica de meia-idade estará estabelecida na carreira, alguns no casamento e na comunidade. Ao perceber um sentimento de vazios nas declarações de seus pacientes, Jung se perguntou:

“Por que, quando se obtém sucesso, as pessoas são acometidas pelo desespero e pela sensação de não ter valor”?

Percebendo que para esses pacientes já não existiam sensações de aventura, emoção e prazer, como se a vida tivesse perdido o significado, em suas análises, Jung detectou que essas mudanças drásticas na personalidade eram inevitáveis e universais, porém o período natural de transformações necessárias e benéficas.

Ironicamente, ocorrem porque as pessoas foram bem-sucedidas na tarefa de atender as demandas da vida, investindo muita energia nas atividades preparatórias da primeira metade da vida. Agora na meia-idade essa preparação já terminou, desafios foram vencidos, mas ainda há energia considerável, sem lugar para onde ir. que precisarão ser recanalizada para atividades e interesses diferentes.

Na meia-idade passamos a nos dedicar ao nosso mundo interior, à nossa subjetividade, sentimentos até agora negligenciado, mudando a nossa personalidade de extroversão para introversão, abrandando nosso consciente por uma consciência do inconsciente. Os interesses físicos e materiais mudam para o espiritual, filosófico e intuitivo.

Se na tarefa de integrar o inconsciente com o consciente formos bem-sucedidos, criamos condições de atingir um novo nível de saúde psicológica positiva, o que Jung intitulou de “individuação” – explorarando nossa capacidade em desenvolver o self (aquilo que define a pessoa na sua personalidade).

Enfrentando o inconsciente, o consciente nos dirá novas tarefas e metas que aceitaremos em cumpri-las. Nesse processo inato e inevitável que contará com forças ambientais, com nossas oportunidades educacionais, econômicas e a natureza de nossos relacionamentos, principalmente pais-filhos, precisaremos ouvir nossos sonhos, seguir nossas fantasias, exercer a imaginação criativa por meio do ato de escrever, pintar e outras formas de expressões espontâneas do inconsciente.

Guiar-se menos pelo racional como na fase anterior, revelando-se o nosso verdadeiro self. Jung advertia que não precisamos ser dominados pela “individuação”, mas suas forças devem ser dominadas e assimiladas com consciência, sem predominar em nenhum aspecto da personalidade. Na combinação do todo surgirá um equilíbrio harmonioso quando se atinge a “individuação”. (Só para não confundimos, a palavra é mesmo “individuação” e não “individualização”. Com esse termo, Jung queria ressaltar o processo de integração dos opostos, o não dividir-se, indivíduo).

Só que, muitas das pessoas na meia-idade atual, não atingiram todas as fases que todos procuram na primeira parte da vida – principalmente no campo sentimental. Conseguem uma boa formação e continuam seus estudos, carreira e produções profissionais; mas não conseguiram ainda se realizar no sentido de construir uma família. E, em uma fria análise, percebo que esse é o principal motivo de suas angústias.

Ainda mais, num misto do sentimento comum às pessoas de meia-idade que não dará mais tempo de nos realizar nesse campo e a sensação inconsciente de finitude, é que brotam muitas de nossas ansiedades. Essas “frustrações” – assim entre aspas! – muitos estão canalizando para o lado afetivo.

Mas na meia-idade ainda se pode encontrar e se viver um grande amor? Claro que sim! Só que, como explico no meu livro, conquistar um grande amor será um processo com várias etapas, mas que valerá à pena quando tiver àquela pessoa tão especial ao seu lado! Mas só há dois caminhos. Termos atitude de nos colocarmos em movimento, sabendo quais as mudanças e passos que precisam ser tomados para se encontrar um grande amor. Ou continuar acreditando que um grande amor é obra do acaso!

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Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programação Neurolinguística. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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