Educação Inclusiva: Caminhos Da Afetividade

Nos últimos anos tenho viajado pelo país fazendo palestras, ministrado cursos e recebido muitas mensagens referentes à Educação Inclusiva. E algo que sempre me incomoda é o fato de alguns professores quererem transferir suas responsabilidades, dizendo que muito pouco tem sido feito, a respeito da inclusão por parte do Governo ou por parte dos dirigentes educacionais.

Ainda há muito da cultura paternalista de esperar que tudo venha de cima, já pronto tanto no sentido de leis como de investimentos e recursos, e com a Educação Inclusiva não tem diferente.

Outro ponto que noto nesse comportamento e discursos de várias pessoas e professores é que falar em Inclusão Escolar ainda se esbarra em questões culturais e/ou até mesmo um comodismo para não sair da zona de conforto. É comuns os professores dizer que não estão preparados para receberem alunos com deficiência. Não há uma maldade nisto, mas sim certo estado de ansiedade e em muitos, mesmo que seja de forma inconsciente, um mecanismo de defesa contra algo desconhecido.

Para o a maioria dos professores, assim como para grande parte da população, ainda há àqueles velhos conceitos e culturais referentes às pessoas com deficiência, tais como associadas ao estado de doença, que não se desenvolveram ou aprendem como as demais. Mas ora, o desenvolvimento e a aprendizagem humana é individual e ninguém tem um modelo a seguir.

De fato, nenhum professor estará preparado para trabalhar com a Inclusão Escolar até momento que chegue à sua turma um aluno a ser incluído. Uma situação que ele nunca vivenciou – o que muitas vezes exige conhecimento de experiências anteriores.

Será neste momento que veremos realmente quem é o educador de verdade. O acomodado alegará não estar preparado – pois rejeitar um aluno com essa alegação será muito mais fácil e rápido se livrar da questão. Mas o verdadeiro professor, consciente de seu compromisso e desafio ético de educar a todos que pertencerem ao seu alunado, primeiro o receberá, o que já será o início da inclusão pela afetividade.

Afetividade se constrói pela convivência. E o professor disposto a isto, recebe o aluno em fase de inclusão com o mesmo carinho que recebe os demais. E depois buscará formas de trabalhar com ele.

Afetividade também significa sair da zona de conforto em busca de querer aprender cada vez mais dentro de sua profissão. O professor, educador, pedagogo, enfim, deve ser um eterno estudioso. Ler muito, buscar cursos de formação ou aperfeiçoamento.

Assim como qualquer outro profissional, antigamente se fazia quatro aos de uma faculdade e, em cima desses quatro anos, construía-se toda uma carreira até se aposentar. Mas hoje, com um mundo tão dinâmico e em constantes transformações, precisamos estar sempre descobrindo e aprendendo mais.

E com a Educação Inclusiva não teve ser diferente. Este é o principal conceito que quero deixar e irei até destacar: O professor precisa criar e manter o hábito de pesquisar!

Detalhando, quero reforçar o dito acima. Quando um professor receber alunos inclusivos, primeiro o acolha em sua sala e comece a conviver com eles, criando laços, descobrindo um ao outro, professor e aluno, o que já será uma pesquisa de campo. Paralelamente, vá ler sobre as deficiências e reais necessidades de cada aluno inclusivo, procurar orientações de práticas pedagógicas para se trabalhar com eles e toda a turma.

Possibilidades são muitas. E as informações nunca estiveram tão disponíveis como antes. E de graça. Além das publicações que devem ter na biblioteca de sua escola, basta o professor entrar no Google e achará muito material seguro, no Youtube há milhares de vídeos sobre Educação Inclusiva, práticas pedagógicas inclusivas, casos específicos, por exemplo.

Sobre não mais transferir a missão que é do professor para o Governo ou aos dirigentes da escola, defendo que o processo de inclusão escolar só terá sucesso se for realizada de baixo para cima. Das bases e com o envolvimento de todos, sendo que um dos caminhos mais certos para a Educação Inclusiva é a afetividade. Importante o professor se despir de seus preconceitos e abrir os braços e receber alunos a serem incluídos.

Conhecimento elimina a ansiedade, trazendo segurança. E professor seguro ama o que faz alimentado por gestos de afetividade, atingindo resultados imagináveis!

 

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programação Neurolinguística. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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