GISELLE BOHNEN: O USO DA FOTOGRAFIA COMO INCLUSÃO SOCIAL NO BRASIL

Giselle Bohnen é uma jovem promissora fotografa da atual geração brasileira. Além de sua arte visual, ela é comprometida com questões sociais. Criou e está a frente do Projeto Ita Vita –  Arte Fotográfica e Inclusão Social “que visa envolver as pessoas paras as questões inerentes à inclusão social, desmistificando crenças populares e errôneas acerca da vida das crianças com deficiência. Através das imagens, expor com sensibilidade o afeto e a força que estão presentes no dia-a-dia dessas crianças e suas famílias”.

Esta semana ela bateu um papo com o nosso Portal falando de sua vida pessoal e vida profissional, inaugurando a coluna Entrevista da Semana:

1 – Giselle, conte-nos um pouco da sua história pessoal, suas origens.

Meu nome é Giselle Bohnen, brasileira, 32 anos, paulistana. Sou a filha caçula de três irmãs. Meu pai é gaúcho nascido e crescido em uma comunidade alemã na área rural, o que trouxe uma cultura sulista e católica bem sólida à família. Minha mãe é paulistana, teve uma educação mais flexível e cresceu na cidade de São Paulo. O resultado da minha história, é que sou alguém com valores rigorosos, porém com muita facilidade para lidar com as pessoas. Apaixonada pela cidade de pedras, por pessoas, animais e por fotografia.

Sou formada em Psicologia desde 2007, e segui para a área organizacional. Trabalhei durante oito anos na empresa da família no segmento comercial e de recursos humanos.

2 – O que levou você a migrar da Psicologia para a Fotografia? E como vem sendo a sua construção enquanto fotógrafa, sua formação, trabalhos e exposições já realizadas?

Devido alguns acontecimentos pessoais e uma viagem para um lugar totalmente fora da minha zona de conforto, comecei a questionar e refletir sobre a minha carreira e o meu propósito. Sempre fui fascinada por fotografia e artes. Em 2012, iniciei meu curso de fotografia na Escola Panamericana de Artes e Design, a partir daí iniciei minha trajetória no mundo fotográfico.

A fotografia me trouxe uma nova maneira de enxergar o mundo e o meu próprio universo. Comecei a desenvolver trabalhos autorais relacionados com o feminino e o surrealismo. Desde então, participei de várias exposições tanto nacionais quanto internacionais.

Comercialmente, o meu principal nicho são os ensaios de família e os ensaios femininos. Nos quais, eu sempre busco a simplicidade, mostrar a vida como realmente é, sem montagens. Trata-se de um trabalho documental, espontâneo e sensível.

3 – Como e quando nasce o Projeto Ita Vita?

Devido ao trabalho de fotógrafa, sou bem ativa nas redes sociais e participo de diversos grupos, sobretudo, os grupos relacionados a maternidade. Passei a acompanhar as histórias das mães de crianças com deficiência, os preconceitos e dificuldades diárias por elas enfrentados. Esses relatos me despertaram interesse sobre inclusão social e todas as questões inerentes a esse tema.

Foto da capa e esta de Felipe Firmo

O projeto Ita Vita nasceu em 2017, da necessidade de ter um espaço dentro da própria fotografia para conversar e dialogar sobre como e qual a importância da inclusão social. Através de imagens, é possível revelar a diferença com naturalidade, familiarizando o espectador e quebrando o estigma de piedade.

O que a sua lente busca no projeto Ita Vita?

Assim como nos ensaios comerciais, eu busco mostrar as interações, o afeto e as relações familiares, trazendo a vivência e o cotidiano sob uma nova perspectiva. Além disso, eu coleto relatos e depoimentos sobre suas histórias, e deixo a família a vontade para expressar e levantar questões que considera importante.

O objetivo é propagar conhecimento, conversar sobre uma sociedade inclusiva e até mesmo, um espaço para debater e protestar por adequações que permitam a inclusão. Ademais, disseminar também a arte fotográfica e a cultura.

A divulgação do trabalho é realizada através dos canais de comunicação mais populares, como nas redes sociais como o facebook e instagram e no site (veja todos os links abaixo). A internet é uma poderosa ferramenta para esse tipo de proposta.

Como foi realizar a primeira exposição do Ita Vita e para onde caminha este projeto?

 

Em janeiro deste ano, conseguimos realizar uma exposição fotográfica no Conjunto Nacional em São Paulo. Foi uma conquista importante, por ser um local bastante frequentado, trouxe mais visibilidade ao tema.  As fotos impressas causam um impacto positivo muito maior que apenas a tecnologia digital, convidando os visitantes a adentrar na vida dessas crianças com um pensamento mais crítico e reflexivo.

“Ita Vita” significa “Assim é a vida” em latim, e quando falamos de vida, podemos tomar diversos rumos. O projeto ainda tem um longo caminho pela frente e, provavelmente, ainda ocorrerão muitas mudanças e melhorias. O intuito é procurar sempre agregar outras formas de lidar com os temas sociais, utilizando a arte fotográfica como uma ferramenta para tal. O plano atual é continuar com os ensaios, com a divulgação e levar a mostra para diferentes locais e assim alcançar o maior número de público possível.

MAIS SOBRE O PROJETO “ITA VITA”

Site do projeto: www.projetoitavita.com

Página no Facebook clique aqui

Página no Instagram clique aqui

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programação Neurolinguística. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.