O Estranho Vizinho

 

emilio figueira cronica2

Havia em uma pequena cidade de interior, um sítio isolado na zona rural. Nada de anormal, se não fosse o fato de sua casa ser pintada por duas cores fortes de vermelho. O que, aliás, não era comum na região.

Ali morava um senhor que tinha prazer de estar solitário em sua residência. Tinha se mudado há pouco para lá. Vindo da grande capital, aparentava ser aposentado. Só saia se necessário fosse, como por exemplo, para fazer compras na cidade. Nessas ocasiões, estava sempre sorridente, cumprimentava a todos, mas só conversava o necessário, logo voltando à sua propriedade.

Esses fatos instigavam a curiosidade daquele povo. Quem realmente era ele? Por que gostava de viver isolado? Seria uma pessoa tímida? Não gostava de ter amigos? Outros até deixavam a imaginação criar asas. Poderia ser alguém foragido da cidade grande. Um traficante procurado, talvez… Um esquizofrênico, quem sabe. Olha que em noite de lua cheia, ele poderia até se transformar em lobisomem… E a fértil criatividade das pessoas de interior – as quais ainda encontram tempo para imaginar e delirar coletivamente – ia longe.

Com o tempo, os vizinhos do sítio, de suas cercas, passaram a observá-lo melhor. A casa sempre bem pintada e limpa; o caminho e todo o terreiro carpido; a árvore frutífera carregada e cheia de vida; os patinhos gordos e tranqüilos nadando no laguinho, dentre outros aspectos, tudo muito cuidado com esmo.

Foi quando, um dia, puderam concluir que aquele homem de cidade grande, isolou-se em um sítio para encontrar a felicidade que habita nas coisas simples da vida!

 

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