A Geração Y Na Meia-Idade

QUAL SERÁ O SEU LEGADO PAPA AS PRÓXIMAS DÉCADAS?

Olá, hoje quero falar com você, membro da atual Geração Y. Você que entra na escola com dois anos, por volta dos cinco aprende a ler e a escrever. E aos 17 já presta o vestibular. Na correria entre casa e escola, uma lição ou provas decisivas dos bimestres, voam para o curso de inglês, espanhol, mandarim.  Aos mais abonados um intercâmbio aqui, outro ali para aperfeiçoar o aprendizado dos idiomas, pois neste mundo globalizado eles são fundamentais. Dominam todas as linguagens da informática, das mais variadas tecnologias e conhece como ninguém todas as possibilidades do mundo virtual. Pratica um leque de modalidades esportivas com o lema geração saúde.

Enquanto as yuppies, as meninas que atualmente sentem a necessidade de provar umas para as outras, como uma espécie de competição, quem consegue mais atenção dos amigos, quem tem o melhor grupo de amizades, as tecnologias mais avançadas e atuais, o melhor cabelo, o melhor corpo, começando muito mais cedo a explorar sua feminilidade. Sua maior preocupação é não ser aceita pelo seu ciclo de amizades, visto que não estão acostumadas a perder e escutar não, sendo consideradas assim, diferentes das demais.

Pois é… São muitos os esforços pelo objetivo de se garantir um futuro promissor em um mercado tão competitivo, onde precisará ser o melhor e o mais rápido. E conseguirá, graças ao desenvolvimento acelerado do seu quociente intelectual. E nada é feito para que seus quocientes emocionais, que significa a reconhecer os nossos próprios sentimentos e os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

Você precisará decidir o que fazer da própria vida. Escolher a futura profissão e se entregar inteiramente à ela. E as relações sociais e sentimentais vão ficando para depois. Ao contrário de suas gerações passadas, você hoje tem que ser o melhor e mais rápido em sua profissão. Sua juventude não lhe permite desperta-se sua consciência social e política. Não lhe permite vivenciar um descontentamento e o desejo de transformação, o famoso “Querer mudar o mundo!”, emitindo altas críticas ao modelo hipócrita dos valores ditos burgueses. Não há tempo para dúvidas metafísicas e científicas, traçando muitos questionamentos. As cobranças da vida atual não lhe permitirá olhar para o próximo e, muitas vezes, nem haverá espaço para namoros e constituição de família. E, por priorizar sua carreira, o projeto de casar, ter um lar, sua família, vai sendo adiado.

Mas se casar e ter o seu emprego, estará feliz? Acho que não. Nós seres humanos, por natureza, nascemos e morremos infelizes, por sempre nos sentirmos incompletos. Pego como exemplo um rapaz. Ele conhece uma moça, encanta-se por ela e passa a dizer: “Se eu me casar com ela, serei o homem mais feliz do mundo!”. Com o tempo, o destino une os dois. O rapaz agora passa a almejar: “Eu preciso comprar a minha casa para ser feliz com minha esposa!”. Após muito trabalho e esforços, compram uma residência segundo suas posses. Agora o discurso será: “Vou comprar um carro para poder ter mais momentos de lazer com minha família, ir com mais facilidade ao trabalho!”. Novamente um período de esforços e economias até comprar um automóvel. E aí começa um círculo: “Preciso de uma casa maior para ter conforto, um carro mais novo, comprar tal coisa, trocar outras”. Hoje em dia, até marido ou esposa fazem parte desse círculo de trocas.

Com isso, estamos sempre projetando a felicidade para o futuro. “Preciso ter tal coisa, fazer tal coisa, conquistar tal coisa para me sentir feliz!” E assim adiando a felicidade, quase nunca desfrutamos dela no tempo presente. Não paramos para assimilar que para estarmos felizes, basta simplesmente nos sentirmos bem com nós mesmos. Como uma teimosia, não a percebemos no dia a dia, mesmo sabendo que a felicidade não é uma sensação eterna. Mas sim um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremo prazer. Felicidade se atinge pelo exercício da virtude e não da posse.

Mas se você não se casar, daqui há alguns anos eu irei lhe encontrar na meia-idade. Parabéns! Você terá um alto cargo, será um profissional respeitado. Seus dias intermináveis passarão a ser preenchidos por vários verbos: fixar objetivos, planejar, analisar, conhecer os problemas, solucioná-los, organizar e alocar recursos financeiros, tecnológicos e humanos, comunicar, dirigir, motivar, liderar sua equipe, tomar sérias e fundamentais decisões, mensurar e avaliar negociações. Usará roupas das melhores grifes e marcas do momento. O celular e computadores de última geração. Terá viajado o mundo inteiro em suas férias. Estará se alimentando nos melhores restaurantes. Suas aplicações bancárias serão gordas. Seu carro será o último lançamento. Morará naquele apartamento em um bairro de classe média alta.

E as yupies do passado, que na juventude idealizavam o homem ideal, nunca o encontrado no mundo real. Essa mulher ainda mais exigente, continuará buscando a sua independência financeira, afim de poder satisfazer as suas necessidades físicas idealizadas e a busca idealizada da perfeição. Continuara entrando em disputas pelo melhor espaço no mercado de trabalho, se impondo assim, de maneira que seja sempre notada.

E, tanto homens como mulheres, estarão sozinhos…

Isso porque, o homem contemporâneo, com seu avançado conhecimento intelectual, desconhece-se enquanto totalidade espiritual, não sabe bem o que deseja e por isso não consegue satisfazer-se plenamente, sentindo-se vazio de realizações. Somos seres conscientes de si e do mundo que nos cerca, aprendemos, acumulamos conhecimento do passado e planejamos o futuro. Mas no presente a busca do sucesso financeiro, ao lado da liberdade material conquistada, vamos nos isolando cada vez mais uns dos outros. Essa mesma liberdade econômica, carregada de solidão, torna-se motivo de medo e angústia, levando as pessoas a desejarem uma fuga psicológica de alienação, por meio de ilusões de “terem” algo ou de “pertencerem” a uma corporação ou grupo que lhes fará sentir menos sós.

Mas será que você precisa ser igual a todo mundo?

Será que você quer também ser mais um na multidão de alienados consumistas, projetando sua felicidade no ter, enquanto ela está no ser?

Será que você quer ser mais um bem sucedido profissional, mas ter um coração vazio?

Você optará por viver, ou se deixará apenas ser vivido pela vida?

Ou será que você será capaz de pegar a sua própria história nas mãos e provar que não precisa ser igual a todo mundo?

Afinal, qual o legado que você deseja deixar na sua história pessoal?

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programão Neurolinguística . Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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