Poéticas Da Cia Nau De ícaros Em Um Sábado À Noite

“Tirando os Pés do Chão” da Cia Cênica Nau de Ícaros. Foto: Divulgação

Sempre esperamos encontrar em um sábado à noite diversão, festas, reuniões familiares ou com amigos, baladas, encontros e desencontros românticos ou sem o compromisso de ligar para a pessoa no dia seguinte.

Mas na noite pauliceia do último sábado descobri algo a mais. Calma, que já vou contar logo mais abaixo…

Fui ao Teatro J.Safra assistir ao espetáculo “Tirando os Pés do Chão” da Cia Cênica Nau de Ícaros, misturando dança, teatro, circo e, por que não dizer, livres reflexões filosóficas da difícil, mas ao mesmo tempo a fácil tarefa de amar e sermos amado.

No puro exercício das danças em solo ou no ar, nos diálogos e nas canções dos atores em cena, nós sentados na plateia deixamos os pensamentos e nossas emoções estéticas voarem livremente ali com eles. Em um balé de rodopios pelo ar, levando junto as nossas mais singelas fantasias e desejos sentimentais.

E tenho certeza que muitos durante o espetáculo, ou depois dele, questionaram-se:

O que fizemos, o que estamos fazendo, ou o que faremos dos nossos antigos, atuais ou futuros amores?

E vou confessar uma coisa. Deu-me uma vontade de estar ali no palco de pendurado voando com eles…

“Tirando os Pés do Chão” é um dos muitos belos espetáculos e peformaces que a Cia Cênica Nau de Ícaros traz em seu currículo. Um grupo que está na estrada desde 1992, criando espetáculos e intervenções artísticas que transcendem os limites entre circo, teatro e dança, resgatando a festividade dos ritos populares brasileiros. Encantam, envolvem, inspiraram e mobilizam o público, trazendo à luz referências da cultura popular brasileira em abordagens contemporâneas e universais e propondo uma mudança de olhar sobre as artes cênicas.

A livre inspiração de livro “Myrna – Não Se Pode Amar E Ser Feliz Ao Mesmo Tempo”, que reúne cartas de uma coluna aconselhamento sentimental publicadas no Diário da Noite da Noite nos anos 50 é o ponto central de “Tirando os Pés do Chão”. Essas cartas eram assinadas por Myrna, um dos muitos pseudônimos do genial Nelson Rodrigues, referência até hoje na crônica e na dramaturgia brasileira.

Aqui nesta crônica, que está longe de ser um texto rodriguiano, quero render meus aplausos novamente à Direção e Coreografia de Erica Rodrigues, a Co-direção de Marco Vettore, aos Intérpretes-criadores Beatriz Evrard, Celso Reeks, Erica Rodrigues, Gian Mellone, Letícia Doretto, Marco Vettore e a uma extensa equipe técnica de profissionais que dão alma e toda a estrutura para o espetáculo acontecer.

O que foi mesmo que eu descobri, conforme mencionei acima?

Foi que em um sábado à noite na paulicéia desvairada também se pode ir de encontro à pura poética de uma arte praticada com sinceridade e garra de artistas que acreditam no que fazem e fazem bem feito.

E saí do teatro mais uma vez com a certeza que ganhar ou perder nas relações amorosas é tarefa para quem não tem medo de se arriscar, tirando os pés do chão!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*