REVISTA ENTRE NÓS – COLUNA BATE-PAPO COM EMÍLIO FIGUEIRA

Nome completo, cidade natal, estado civil e filhos.

Emilio Carlos Figueira da Silva, 44 anos, nascido aqui em São Paulo, sem filhos,

  1. Conte sua trajetória profissional?

Minha trajetória profissional é um pouco maluca. Comecei nos 80 como redator de jornal, virei jornalista, depois entrei para USP/Bauru, passei a ser cientista, estudei psicologia, depois psicanálise. Hoje também sou professor de pós-graduação. Mas o meu forte mesmo sempre foi ser escritor de livros e teatro.

  1. O que você fez para “derrubar os muros” do isolamento social que era praticado dentro das instituições até os anos 80?

Até aquela década, a sociedade não tinha consciência do que é era as pessoas com deficiência. Começamos a nos organizar nos movimentos, sair às ruas, fazer reivindicações. De lá prá cá tivemos inúmeras conquistas, muita coisa mudou. Hoje se temos leis, espaços adaptados, a educação inclusiva em andamento, dentre outros aspectos, é graça a esses antigos movimentos. Atualmente muita gente está ganhando fama em cima da Educação Inclusiva, mas ninguém se lembra de quem foram os pioneiros.

  1. Onde você foi alfabetizado? Você usa alguma adaptação para escrever?

Fui alfabetizado um pouco precoce, entre cinco e seis anos na escola da AACD nos anos 70, quando eu era aluno semi-interno.  Hoje não uso praticamente nenhuma adaptação, mas gosto de trabalhar em uma mesa e cadeira firmes e numa altura adequada.

  1. Por que foi morar no interior com seus avós?

Meus avós moravam em São Paulo e eu era muito pegado a eles. Quando mudaram para o interior, fiquei doente e tive que ir com eles. Foi a melhor coisa da minha vida. Lá tive uma vida praticamente normal, estudei em escolas normais, tive incontáveis amigos, todos os tipos de brincadeiras e aventuras. Foi quando realmente me desenvolvi com relação à minha deficiência motora. Principalmente por eu ter sido estimulado a viver e me comportar como aqueles meus amigos sem qualquer tipo de deficiência…

  1. Como foi sua experiência de repórter? Onde estudou jornalismo técnico?

Foi outra experiência fantástica. Aos 12 anos fui trabalhar como auxiliar de tipografia na redação de um jornal. Apaixonei-me e dois anos já era repórter. Escrevia textos, saia para entrevistas pessoas, políticos, policiais, fazia cobertura de vários eventos, festivais, jogos de futebol. Sempre com um gravador portátil na mão. Depois transcrevia tudo e escrevia as minhas matérias. Nos anos 80 ainda existiam os cursos de jornalismo em nível técnico. E foi o que eu fiz.

  1. Você teve sua formação universitária em cursos presenciais ou à distância?

Minha formação universitária em psicologia foi inteiramente presencial. E era um curso integral, ou seja, eu passava o dia inteiro na universidade de segunda-feira a sábado. Foi cansativo, mas um desafio e tanto que valeu à pena!

  1. O que você acha da inclusão na educação?

Eu sou bastante otimista com relação à ela. Fico muito bravo quando alguém diz que nada mudou com relação às pessoas com deficiência. Mudou sim, e para melhor. A Educação Inclusiva é uma delas. Claro, muita coisa precisa ser melhorada, aperfeiçoada. Temos relatos de casos que deram errados. Mas também temos muitos relatos de sucesso. Tudo é uma questão de processo. E processos precisam respeitar etapas. Assim como as questões que envolvem pessoas com deficiência são culturais, precisam de tempo para mudanças de mentalidades!

  1. Qual foi sua sensação quando você ganhou o concurso internacional de dramaturgia?

O teatro sempre foi um hobby para mim. A dramaturgia que é a arte de escrever teatro e televisão é uma área que eu ainda quero me desenvolver, mas tenho muito ainda que estudar e aprender nesta área. Só que ter ganhado esse concurso foi uma grande surpresa para mim e a prova que estou no caminho certo.

  1. Como faz para participar da Companhia Olhos de Dentro de teatro?

Este é um grupo de teatro profissionalizante para pessoas com deficiência com aulas aos sábados pela manhã no Teatro Ruth Escobar. Ele me auto desafiou no sentido que eu pensava que o máximo que eu poderia era ser um autor de teatro. Neste curso eu me descobrir também como ator. E graças a isto, já participei do espetáculo profissional “Cidade cheia de graça” que teve todas as suas apresentações lotadas.

  1. De que forma você clinica como psicanalista? Qual o perfil dos seus pacientes?

Na verdade, estou deixando o mundo da clínica. Mas atendo tanto da forma convencional, presencial, quanto virtual. Meus pacientes são variados, pessoas que precisam e procuram atendimentos.

  1. Por que você se interessou por teologia?

Sempre fui um apaixonado pelos estudos e pesquisas. E a teologia, além de eu ser evangélico, é uma área que me traz muitos conhecimentos, subsídios para a minha escrita e pesquisas.

  • Em que você se inspira para escrever tantos livros?

Meus livros são bem variados, oscilam entre obras de ficção, poesias, científicos e didáticos. Fica difícil escolher uma fonte de inspiração. Cada livro é um filho com sua particularidade. E eu já tenho 48 filhos, fora os que estão em produção.

  • Você já “amou em silêncio”?

Todos nós já amamos um dia em silêncio. Ainda mais um escritor e poeta como eu que precisa criar, buscar inspiração para escrever. Mas há um ano e meio estou vivendo o encanto da minha primeira namorada. E descobri que namorar e amar na prática e bem melhor!

 

COMO REFERENCIAR ESTA ENTREVISTA:

FIGUEIRA, E. Emílio Figueira – Bate-Papo. In: Revista Entre Nós, São Paulo,  pag. 12-13, novembro de 2014.

 

 

Emilio Figueira

Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programação Neurolinguística. Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de cinquenta títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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